Não sei como isto não me ocorreu há mais tempo. A solução para os constantes problemas do meu prédio, que tanto tempo faziam perder à Administração (eu próprio) apareceu hoje, inspirada numa ideia já com alguns meses do nosso primeiro ministro. Em nome do défice, do rigor orçamental, enfim, de promessas eleitorais que nunca fiz... acabei de congelar todos os pagamentos feitos pelo Condomínio relativos a compromissos feitos a partir do dia de hoje! Significa isto que concordo com todas as obras, arranjos, ideias disparatadas e mudanças em geral... mas que não pago nenhuma delas para manter equilibradas as contas do condomínio até ao final da minha legislatura. O elevador precisa de um sensor de peso? A porta das traseiras está ferrugenta? Devíamos ter sensores de movimento nas escadas? Não podia estar mais de acordo! Mas o défice... as contas... Não pode ser, só para meados do próximo ano. Ainda por cima depois do choque tecnológico que foi a mudança do sistema de intercomunicadores. A senhora que limpa as escadas percebeu logo a ideia: "Ah pois, isto sem dinheiro não se vai a lado nenhum! Então e porque é que não aumenta o que as pessoas pagam por mês?" Expliquei-lhe que não era com um aumento da carga fiscal que a coisa ia ao sítio... que a solução era mesmo cortar na despesa, para não sufocar ainda mais as famílias. E ia continuar a falar não fosse ela cortar-me a palavra: "Ai credo, parece um daqueles ministros! Você é que sabe, pronto... faça lá o que quiser."
Parece-me que agora sim, vou ter sossego...
Thursday, November 16, 2006
Tuesday, November 14, 2006
Enuncia cinco manias tuas, hábitos muito pessoais que te diferenciem do comum dos mortais
Pergunta-me desta vez a rena lá na Finlândia, a mim e a mais quatro vítimas deste desafio. Há aqui um problema, no entanto, porque não tenho a certeza de ter algo tão pessoal que me diferencie do comum dos mortais. "Eu sou os outros, qualquer homem é todos os homens" já Borges dizia. Não devo ser o único, por isso, a ter por exemplo estas cinco manias...
1. Sair do carro, trancar o carro, andar quatro ou cinco metros e parar logo de seguida para perguntar a quem me acompanha: "Eu fechei o carro?" Quem já se habituou responde às vezes que sim mesmo antes de eu perguntar. Quando estou sozinho hesito à mesma... mas raramente volto atrás. Nunca deixei o carro aberto até hoje.
2. Ler o jornal ao contrário, da última página para a primeira. Sempre. Um hábito que vem de ler o Público quase todos os dias quando andava na universidade. O Público começava sempre no Calvin & Hobbes.
3. Abrir um jogo de snooker com a bola branca colocada o mais à esquerda possível na meia lua, em vez de ser no centro. Uma mania que deve vir dos tempos de adolescente no salão de jogos de um centro comercial em Leiria, ou talvez uma contínua tentativa de repetir uma abertura memorável que entretanto esqueci...
4. Ter a mesa de cabeceira e a estante da cama cheia de livros que vou lendo ao mesmo tempo, ao longo de meses. Na realidade apenas um deles é lido regularmente e substituído depois por outro. Os restantes estão ali para serem lidos de vez em quando, como músicas que se ouvem consoante o estado de espírito.
5. Adormecer no avião... às vezes mesmo antes de ele descolar. Aliás, adormecer mal me sento na cadeira do avião. Também adormeço em comboios e autocarros mas nunca tão depressa como num avião. Confio sempre na turbulência que antecede a refeição (que os pilotos normalmente simulam, para manter toda a gente sentada enquanto é servida a comida) para acordar a tempo de comer qualquer coisa...
E pronto. Falta apenas "reproduzir o regulamento" do desafio aqui no blog e lançar o repto a mais cinco bloggers, mas infelizmente... na minha lista de manias está também um hábito que não aparece de certeza em nenhuma das listas que antecederam a minha: o de quebrar correntes na internet.
Thursday, November 09, 2006
A praga
Sair do meu prédio é uma coisa complicada. Entrar é relativamente mais fácil, porque normalmente passo uma primeira vez de carro em frente à entrada e consigo ver se há perigo de emboscada ou não. Mas quando saio... quando saio só posso contar com a sorte. Hoje tive azar. "Olhe, ainda bem que o vejo!" atira logo de rajada enquanto se coloca entre mim e a porta. Não adianta dizer que estou atrasado, que tenho de ir trabalhar, nada funciona. "Preciso de falar consigo sobre um problema lá em minha casa". O problema pode ser qualquer coisa, sendo certo que há perigo de morte se não for resolvido de imediato. Um cheiro estranho, um tapete fora do sítio, uma lâmpada que se fundiu, qualquer coisa. Com as chuvadas recentes pensei logo em infiltrações, inundações, um cataclismo de proporções bíblicas. Enganei-me. Enfim, enganei-me no problema, não nas proporções bíblicas. "Tenho uma praga de insectos lá em casa! Bichos assim pequenos, sem asas, está a ver? É horrível!" Mais uma hecatombe para a lista. Seria letal? "É que eu sou alérgica a esses bichos todos! Ainda morro, eu qualquer dia ainda morro!" Era letal, claro. "Vou chamar a protecção civil, vou chamar a direcção regional de saúde, inspectores da Câmara, tudo! Sabe que a vizinha ao meu lado tem mais de vinte gatos em casa? É daí que vêm os bichos, de certeza!" A ideia de ter a protecção civil e a direcção regional de saúde no prédio agradava-me. Era pelo menos um dia de descanso para mim. Mas ainda assim, estava curioso para saber que insectos seriam. "Não, não são baratas. São pequeninos, assim com asas, mas não voam..." E quantos eram? "Olhe, ainda no outro dia vi um e ia tendo um ataque!" Um? Só tinha visto um? "Nesse dia foi um, mas já tinha visto outro na escadas, apanhei um susto quando ia a sair de casa!" E a vizinha do lado, também tinha visto algum desses bicharocos? "Não sei, ainda não perguntei. Queria falar consigo antes de chamar alguém aqui ao prédio..."
Wednesday, October 25, 2006
Wednesday, October 18, 2006
Monday, October 16, 2006
Now Heaven has denied us its kingdom...
Gone are the days of rainbows
Gone are the nights of swinging from the stars
For the sea will swallow up the mountains
And the sky will throw thunder-bolts and sparks
Straight at you...
[Lisboa vista da minha janela, ao som de Nick Cave...]
Saturday, October 14, 2006
"Ouça, eu só escrevi umas histórias..."
Katurian: "Vai ficar tudo bem? Como podes tu dizer que vai ficar tudo bem? Não vês o que fizeste? Não percebes o que nos vai acontecer daqui a uma hora? Como podes dizer isso, que vai ficar tudo bem?"
Michal: "Eu... Eu sei que não vai, Katurian. M... mas é o que se costuma dizer n... nestas situações, não é?"
@Teatro Maria Matos (só até amanhã...)
Monday, October 09, 2006
Wednesday, October 04, 2006
Back and Forth
What's it like? To be back?

You see things in life
And you'd be surprised of what you see
Life, your whole life, is changes
You go through changes in your life
One second you've got it made
Next second you're down in the dumps
And it goes back and forth
And back and forth, you know?
[Unkle - Back and Forth]
You see things in life
And you'd be surprised of what you see
Life, your whole life, is changes
You go through changes in your life
One second you've got it made
Next second you're down in the dumps
And it goes back and forth
And back and forth, you know?
[Unkle - Back and Forth]
Tuesday, October 03, 2006
Cold Spring Harbor Lab
"The other side of the East River, that's Long Island. The burrough of Queens on the left, Brooklyn to the right. That's the Brooklyn Bridge right there, see? But if you say you're from Long Island, that means you come far away from New York City, man!". Cold Spring Harbor, a razão da minha deslocação ao outro lado do Atlântico, fica mesmo "far away from New York City". O taxista que trouxe alguns dos meus colegas resumiu tudo assim: "It's like a toy place, you know? They work hard in there, don't get me wrong! But it's just like a big toy place, with all those cute houses that are really labs inside." Um sítio feito para crianças crescidas portanto, curiosas com o que se passa dentro das células. Os jardins estão ornamentados com duplas hélices, ribossomas, estruturas de proteínas. Até os carros têm matrículas de brincar: DNA, Linux. Cold Spring Harbor é totalmente financiado por donativos. Doações de várias dezenas ou centenas de milhar de dólares, que valem depois um quadro do patrono no laboratório, ou no grande auditório. Na praia, a poucos metros de tudo isto, encontrámos trilobites, animais que julgávamos já estarem extintos. As carapaças pareciam plástico, de tão frágeis que eram. Sítio invulgar, de facto...
Sunday, October 01, 2006
Chinatown
"- Ahh... battery? Four dolla ninety nine!
- Listen, I just saw a pack of AA batteries in a store across the street for three fifty.
- Four dolla! These better! These last loong time!
- The other ones were lithium...
- Ahh... four dolla for two pack. Two! Four dolla!"
Acabei por comprar uma máquina nova na B&H, em vez de pilhas para a máquina que já tinha...
Little Italy
[The Feast of San Gennaro]
"Can you fool the weight guesser? 2$ ladies and gentleman, two dollars!"
"World's smallest woman ALIVE! 29 tiny inches! You talk to her she talks to you!"
"World's smallest horse! Smaller than a dog! 10 inches at birth, now fully grown!"
e o meu preferido:
"Angel snake girl. Snake child born! ...still alive! With the body of a snake. Totally awesome!"
Um dólar. Um estrado de madeira, apoiado em quatro pernas como se fosse uma mesa. Um buraco de terra no meio, a cabeça de uma rapariga nele enterrada até ao pescoço. Uma pele de cobra pintada a spray (alguns calhaus ainda tinham salpicos de tinta) rodeando tudo. Debaixo do estrado, um espelho. Inclinado a 45 graus, para dar a ideia de que não há nada ali debaixo. Que a rapariga é só aquela cabeça e a pele de cobra. "It's gotta be fake! C'mon man!". "I dunno. D'you think it's a mirror? I don't see no godamn mirror! Whadda you know? She's alive, look at dat!". "Looks like a mutant or somethin'!".
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