Sunday, February 04, 2007

"It's goddamn freezing on this beach...

Page is ripped out.
Don't remember doing that.


Sand is overrated.
It's just tiny little rocks.
"

Wednesday, January 24, 2007

À atenção dos jogadores de poker da Pedra do Ouro*

"- Stop with the faces already, what do you got?
- Three eights full.
- Santa Maria, yes!
- Santa Maria. More like fucking Santa clause. Did you cut the pot?
- Twice.
- Here. One chip.
- Ah, va'napola. He can't even buy mcdonalds with that.
- No, no, that's it, I got to go. Cash me out.
- Look at all the money.
- Hey, rich, can I get another dime? We only got cheap players left.
- So, what, vito's up for it, right?
- Where the fuck do I got to be?
- Only... Let's up the anti.
- Are you sure? You're into me for seven g's already.
- Is that all? I'll make that back from vito in an hour."
[The Sopranos, episode 19, season 2: "The happy wanderer"]

* E também do sr. gestor de rede. Poker night em Porto Salvo. Tragam os óculos escuros, eu levo as fichas e o felcro verde para a mesa.
"- Bet or check. The game's happening. Let's see 'em, boys."

Thursday, January 18, 2007

These things take time

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Entregue na Faculdade de Ciências:
(tudo o que está na foto)

- 15 cópias da Tese
- 15 curriculum vitae
- 3 cd's com a Tese em formato digital
- 2 pareceres dos orientadores
- 1 requerimento de apresentação a provas de Doutoramento
- 1 requerimento de dispensa de provas complementares
- 1 autorização de escrita da Tese em inglês
- 1 tapete IKEA. Não, o tapete afinal não.

Wednesday, January 17, 2007

O papel na janela

"Bom dia! Sabe se aconteceu alguma coisa à senhora M.?" Calham-me sempre as perguntas estranhas de manhã. Não só há três "senhoras M." no prédio como (e isto para mim é o mais frustrante) os vizinhos ainda não perceberam que eu não sei nada, mas nada, do que aconteceu a quem quer que seja. "Não sei de nada. Mas qual delas?", pergunto. "A sua vizinha de baixo. Tem um papel a dizer 'aluga-se' na janela!" A senhora M. minha vizinha de baixo é a pessoa mais pacífica do prédio, uma versão feminina de Mahatma Gandhi que também optou pela não-violência e que em relação às festas organizadas cá em casa nos anos de faculdade tinha apenas a dizer que "não... não incomodou nada... ouvia só os móveis a tremer um bocadinho, mas são jovens, não há problema nenhum..." Fiquei preocupado, a senhora M. já é de facto bastante idosa. "Bem, espero que não tenha acontecido nada." Não era bem esse o problema, no entanto: "Pois... mas já viu isto? Quem é que virão agora pôr cá no prédio? Ai, espero que não sejam os chineses da loja ali de baixo!" Os chineses? "Sim, os da loja! Ai credo, que nos sujam o prédio todo! E o dinheiro? Já viu quanto dinheiro é que ela vai fazer com isto? Aquilo é casa para alugar a quanto, sabe?" Nada, eu não sei nada. É uma frustração para mim não terem percebido ainda que eu não sei nada...

Monday, January 08, 2007

Overheard in Arroios (C)

"Senhora de idade #1: Bom ano! Bom ano para si também. E as crianças? Nunca mais as vi...
Senhora de idade #2: Olhe, estão lá por casa... a minha filhota de quarenta anos e o meu rapazote que fez vinte e oito no outro dia.
Senhora de idade #1: Vinte e oito? Ai, crescem num instante..."

--Esquina da Rua José Ricardo com a Ângela Pinto

Friday, January 05, 2007

2006

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There was a crack in the clouds and the sun shifted over...

[O último dia do ano, com banda sonora de Stuart A. Staples]

Monday, December 25, 2006

Little Drummer Boy



Come they told me, pa rum pum pum pum
A new born King to see, pa rum pum pum pum
Our finest gifts we bring, pa rum pum pum pum
To lay before the King, pa rum pum pum pum,
rum pum pum pum, rum pum pum pum


[played by David Fonseca x 10]

Tuesday, December 19, 2006

The 19/12 Commission Report



"Chegado ao local, pelas 22h05, verifiquei que já aí se encontravam 3 veículos policiais e 3 veículos do R.S.B., cujas tripulações, procediam à sinalização e orientação do trânsito e limpeza do pavimento, respectivamente. Os condutores dos veículos nºs 1 e 2 e, ainda passageira deste último, já haviam sido conduzidas ao Hospital de Santa Maria, onde deram entrada sob os processos nºs (...), respectivamente. Os veículos estavam parados, na posição em que se imobilizaram após os embates. O nº 1 estava no início do acesso que liga o Eixo Norte / Sul, capotado, com o tejadilho apoiado no pavimento, com a frente voltada a Norte, ostentando danos materiais por todo, com maior incidência na frente. O nº 2 estava posicionado, na via de trânsito da esquerda, da Avenida Lusíada, em posição transversal, com a frente voltada a Norte, no qual eram visíveis danos materiais na lateral direita mais sobre a retaguarda e, ambas as rodas traseiras. Junto a este veículo e para a retaguarda era visível uma mancha de combustível, dele proveniente e, 5.50 metros de rastos de derrapagem, efectuada pelo pneumático da retaguarda do lado direito. (...) No ilhéu direccional existente no referido acesso encontrava-se caído, por ter sido arrancado, o sinal luminoso que aí se encontrava colocado."
[relatório de acidente de viação a 19/12/2005 - PSP Lisboa - 3ª S.A./DT]

Foi há um ano atrás. A esta hora, mais coisa menos coisa, travava eu a fundo o veículo nº 2 que "devido ao embate sofrido foi projectado para a frente e rodopiou sobre si próprio". Atrás de mim, um carro em "marcha desgovernada alterou de imediato a trajectória para a direita, subiu o ilhéu direccional, derrubando o sinal luminoso, embateu com a frente no veículo nº 3, capotou e finalmente imobilizou-se". Parados no semáforo, tínhamos acabado de decidir ir ao cinema ver o King Kong. Queríamos acção e efeitos especiais...

Um ano depois, recebo de Itália esta mensagem da "passageira do veículo nº 2":
Do you know what happened? Someone else hit my car again... I was at the traffic light. Strange coincidence, it was one year ago!

Forse siamo invisibili, M.?

Saturday, December 16, 2006

A loja de café

"Então este fim de semana vai lá acima à terra?" Vou pois, que o café não é para mim. Levo-o num saco de papel, ainda em grão. Um quilo, que a balança antiga do sr. Salvador assegura ter mais cem gramas que o devido. Afinal de contas, já sou um cliente da casa. "Boas tardes! Então ainda não vieram buscar os sacos com as nozes?", mete conversa uma velhinha que entra sem eu dar conta, de chapéu na cabeça e carrinho de mercearia atrás. "Oh, ainda aqui estão e vão estar muito tempo!" responde-lhe outro cliente ainda mais velho que ela, sentado em cima de um dos sacos. Mais do que uma casa de chás e cafés, a loja do sr. Salvador é um local de encontro, um refúgio dos tempos modernos que invadiram a Lisboa destas pessoas. Dentro daquele espaço que cheira a anis, café, ervas aromáticas e bolachas em pacote o tempo parou, não acompanhou o que se passou lá fora na rua. Os preços estão todos escritos à mão, o nome da loja desenhado a giz num quadro. Cada cliente é atendido no tempo que dura a conversa, um de cada vez. Um mundo que já não existe. "Olhe, isto hoje está complicado é para os jovens!" atira-me de rompante a velhinha. "Estão tramados vocês, que as raparigas hoje não são o que eram no meu tempo!" Encolhe os ombros o sr. Salvador, abanando a cabeça ao mesmo tempo "não lhe ligue, não lhe ligue...". A resposta não tarda: "Ó senhor Salvador, olhe que já enterrei seis maridos!" Seis, faz-me ela sinal com os dedos, a mão esquerda aberta, o indicador esticado sem deixar de agarrar a bengala "...e você ainda vai ser o sétimo!" O que está sentado em cima das nozes ri-se, diz-me que sim com a cabeça, que é tudo verdade. Entra a correr uma rapariga, nota-se que não é de cá, pergunta com um sotaque francês se há multibanco. Ficam todos a olhar para ela, de onde virá a criatura, que quererá ela? Multibanco? Sou eu quem responde que "não, aqui não há multibanco". Vai-se embora, o sr. Salvador ainda fica a olhar desconfiado para a porta. "Isto o tempo está bom é para plantar favas!", recomeça o das nozes...

Friday, November 24, 2006

It's a long way to the top...



... but this is rock and roll!


Just runnin' scared each place we go
So afraid that he might show
Yeah, runnin' scared, what would I do
If he came back and wanted you

Just runnin' scared, feelin' low
Runnin' scared, you love him so
Just runnin' scared, afraid to lose
If he came back which one would you choose

Then all at once he was standing there
So sure of himself, his head in the air
My heart was breaking, which one would it be
You turned around and walked away with me.


[Running scared* - Roy Orbison
David Fonseca ontem à noite na Aula Magna]

* (na única versão que eu conhecia, a de Nick Cave, a música acaba antes assim:
Then you turned around and walked right out on me
Só dei conta quando fui buscar a letra original ao Google. No concerto, claro, ouvi distintamente a versão que conhecia...)

Thursday, November 16, 2006

O rigor orçamental

Não sei como isto não me ocorreu há mais tempo. A solução para os constantes problemas do meu prédio, que tanto tempo faziam perder à Administração (eu próprio) apareceu hoje, inspirada numa ideia já com alguns meses do nosso primeiro ministro. Em nome do défice, do rigor orçamental, enfim, de promessas eleitorais que nunca fiz... acabei de congelar todos os pagamentos feitos pelo Condomínio relativos a compromissos feitos a partir do dia de hoje! Significa isto que concordo com todas as obras, arranjos, ideias disparatadas e mudanças em geral... mas que não pago nenhuma delas para manter equilibradas as contas do condomínio até ao final da minha legislatura. O elevador precisa de um sensor de peso? A porta das traseiras está ferrugenta? Devíamos ter sensores de movimento nas escadas? Não podia estar mais de acordo! Mas o défice... as contas... Não pode ser, só para meados do próximo ano. Ainda por cima depois do choque tecnológico que foi a mudança do sistema de intercomunicadores. A senhora que limpa as escadas percebeu logo a ideia: "Ah pois, isto sem dinheiro não se vai a lado nenhum! Então e porque é que não aumenta o que as pessoas pagam por mês?" Expliquei-lhe que não era com um aumento da carga fiscal que a coisa ia ao sítio... que a solução era mesmo cortar na despesa, para não sufocar ainda mais as famílias. E ia continuar a falar não fosse ela cortar-me a palavra: "Ai credo, parece um daqueles ministros! Você é que sabe, pronto... faça lá o que quiser."
Parece-me que agora sim, vou ter sossego...