Sunday, April 07, 2013
Saturday, September 08, 2012
The importance of being... Rino
Em Randazzo um carabinieri mandou-me parar ao final da noite, não sei bem por que razão. Havia pelo menos três à escolha, achei que excesso de velocidade poderia ser a mais evidente. Mas não cheguei a descobrir. Mal lhe coloquei a carta de condução nas mãos, mandou-me seguir, nem quis ver o resto dos documentos.
No hotel em Catania mudaram-nos de quarto quando me queixei que não conseguia trancar a porta. Em vez de ficarmos no rés-do-chão atrás da piscina e do palco com música ao vivo, fomos para o terceiro andar, com vista para a cidade. O melhor quarto do hotel, pelo mesmo preço, e ainda ofereceram a internet.
Em Triscina, a meio do jantar, o rapaz que servia à mesa veio dizer-me que o Benfica tinha acabado de marcar o segundo golo ao Nacional. Foi procurar o resultado à internet quando reparou que o meu telemóvel tinha ficado sem bateria quando ainda estava 0-0.
Podia ser só hospitalidade siciliana. Mas desconfio que não. Rino é demasiado parecido com Riina, acho que não quiseram correr riscos. Na última noite em Catania, tínhamos à nossa espera um cartão assinado pelo Director do Hotel e uma pequena prenda, "a testimony of our friendship", para a "Family Rino". Na reserva de hotel e no cartão de crédito no entanto, não é Rino o apelido que aparece. Não era preciso, eles sabiam.
Saturday, September 01, 2012
La trattoria
- Per primo piatto ci sono gli spaghetti al ragù, fruti di mare o alla norma.
Numa trattoria não há menu. Nem lista de preços. Sentamo-nos e pergunta-nos o que queremos como primeiro prato. Podemos decidir se o esparguete é lungo ou corto e o que bebemos. E é tudo. Vai-se embora com o bloco de notas onde escreveu "ragu" e ficamos à espera. Na televisão passam notícias locais, ou pelo menos assim parece. Está sem som, o ecrã é demasiado pequeno para se perceber o que lá está. À esquerda da televisão uma garrafa de azeite. À direita, uma Estátua da Liberdade fosforescente. Um dos filhos deve ter emigrado para a América. Não certamente este que se aproxima com dois pratos pequenos.
- Buon appetito!
É o antipasti, que não pedimos. Não era preciso pedir, faz parte da refeição. Antipasti, primo, secondo, contorni e dessert, nunca nada menos que isto. Numa trattoria não há menu, come-se a refeição completa. Não há máquina registadora nem balcão. Há uma secretária que parece ter sido tirada de um escritório e onde se senta de vez em quando. Em cima da mesa está o comando da televisão, o bloco de notas, um livro de recibos, uma moldura com uma foto que não consigo ver daqui, um copo com esferográficas e um tabuleiro com uma lata azul e uma escova. Deve ser para tirar as nódoas. Atrás da mesa, um calendário, alguns diplomas emoldurados, um letreiro a anunciar a azul o Domingo como dia de descanso. No canto inferior direito, o comando do ar condicionado, quatro interruptores (um para cada lâmpada no tecto) e o regulador da ventoínha. Um autêntico centro de controlo. Do outro lado da porta que dá para o corredor, uma fotografia de João Paulo II. Chega o primeiro prato. Tira a tampa do recipiente metálico onde vem o queijo ralado e faz um gesto para percebermos que tem de ser espalhado por cima do esparguete.
- Formaggio.
À nossa direita acabam a refeição. Perguntam que fotografia é aquela, mesmo ao lado deles. Um comboio a vapor a passar em frente a um templo grego. É Selinunte, nos anos 60. Estivemos lá ontem. A linha de comboio já não existe, claro. Nem a linha de comboio nem a mosca que andava de mesa em mesa. O mais velho dos filhos que o ajuda a servir às mesas (são dois) perseguiu-a com uma raquete de ténis de praia, conseguiu apanhá-la com grande estrondo.
- Esecuzione!
Foi mesmo em frente à foto de J. Giovanni um "ladro buono" do início do século, talvez aparentado, um dos que roubava aos ricos para dar aos pobres. Fala dele com orgulho à mesa de turistas suíços, foi alguém importante. Um "ladro" mas dos bons.
- Pesce o carne?
Podíamos escolher o que vinha no segundo prato. Ainda não o tínhamos acabado e já vinha a fruta, uma fatia de melão. E antes que pedíssemos café, fez questão que provássemos um doce típico siciliano, oferta da casa. O café veio depois, o filho mais novo trouxe-o da máquina ao fundo do corredor, ali parece ser já a sala de estar da casa onde vivem.
Não pedimos a conta. Levantámo-nos e fomos ter com ele à secretária, onde nos esperava. Pegou numa das esferográficas, escreveu um número no bloco de notas e virou-o na nossa direcção. No final, levantou-se e apertou-me a mão olhando para o chão. Numa trattoria siciliana a tradição é tudo.
Sunday, August 26, 2012
Tempo
Some believe, or have believed, that the tree was as large as the story tells us it was, that the interior of the trunk as since decayed away; leaving a number of separate pieces, each large enough to form a big tree. [The Chestnut tree of Mount Etna, detailed account of the tree, its state and its surroundings, written by Wm. Rushton on June 29, 1871]
Em 1780 mediram o perímetro do tronco com uma corda, tinha 58 metros. O tronco ficou soterrado entretanto, o que se vê hoje são 5 árvores que partilham as mesmas raízes e que corresponderão à copa, a mesma que se diz ter abrigado 100 cavaleiros num dia de tempestade. Il Castagno dei Cento Cavalli cresce na encosta do Etna, nunca foi atingido por lava. Tem entre 2000 a 4000 anos, é o castanheiro mais velho do mundo, o ser vivo mais antigo que conheço. Pode ser tão antigo quanto as pirâmides no Egipto. E este ano, tal como nos milénios anteriores, tem castanhas. O Tempo não interessa, o importante é recomeçar.
RinoBlog volta hoje ao activo, depois de um restauro que destruiu os links e o contador de visitantes mas trouxe de volta todas as fotos aos posts antigos. O último post tinha sido escrito há quatro anos, aqui na Sicília. Parece que foi ontem.
Saturday, April 26, 2008
Rinusblog, circa 2000 AD

Desapareceu a decoração de fundo com a pouco usual barra lateral de altura fixa. Perderam-se imagens e representações artísticas dos episódios épicos narrados, especialmente as datadas do período mais arcaico. Permanece ainda a inscrição do lado direito com o que presumimos ser uma referência para comunicação (note-se a presença do símbolo @), embora certamente inactiva há muito. Fascinante no entanto a existência e aparentemente bom funcionamento de um oráculo que adivinha a origem dos visitantes (ao fundo, logo depois do contador) e que constitui assim o único elemento ainda activo nestas ruínas...
RinoBlog volta ao activo... mal acabem os trabalhos de recuperação.
Tuesday, December 25, 2007
Saturday, November 17, 2007
Saturday, November 03, 2007
Monday, September 03, 2007
A rentrée
"Ai estava a dormir, desculpe lá estar a tocar a esta hora... Sabe o que é? É que o senhor G. de lá de baixo quer instalar uma antena... Ele paga tudo, não se preocupe, mas eu disse-lhe que era melhor falar com o senhor administrador. Com você, pronto. Então vinha-lhe dizer que ele precisa de falar consigo. É só para saber, porque ele diz que paga tudo, não precisa de se preocupar. Ele tem de fazer uns buracos lá em baixo, por causa dos fios, mas fica tudo por conta dele. Pronto, era só para você saber que ele queria falar consigo. Adeuzinho e desculpe lá tê-lo acordado."
[O vizinho da frente, depois de ter tocado à campaínha cinco vezes e ter batido na porta como se o prédio estivesse a arder. Passavam poucos minutos das oito da manhã]
[O vizinho da frente, depois de ter tocado à campaínha cinco vezes e ter batido na porta como se o prédio estivesse a arder. Passavam poucos minutos das oito da manhã]
Saturday, August 25, 2007
Matalascañas

Tapas, bocadillos de jamón, cruz campo. As praias cheias de lixo, mais sujas que as nossas. As tardes passadas a ler o El Pais, na areia. A calle em frente à varanda onde jantávamos, sempre cheia de gente. Os cafés onde é preciso falar alto. ¡Hola! ¡Hasta Luego! A praia vazia antes das onze da manhã. As esplanadas que enchem às quatro da tarde, depois da siesta. As tardes passadas a dormir, na areia. A rapariga do Turismo que dizia que sim, que talvez encontrássemos uma casa para alquilar. Mas o melhor era perguntar na Frasquita...
Thursday, August 09, 2007
Sunday, August 05, 2007
Procura-se
Wednesday, August 01, 2007
Hoje no correio...
Confirmação
Dia da reserva: 01 Agosto 2007
Número de Confirmação: X####M
Estado da Reserva: CONFIRMADO
Itinerário do Voo - CONFIRMADO
Saída - Lisboa (LIS) a Barcelona (BCN)
Sexta-feira, 31 Ago 07 Voo XG1033
Saída Lisboa (LIS) a 21:30 e chegada a Barcelona (BCN) a 00:15 (dia seguinte)
Regresso - Barcelona (BCN) a Lisboa (LIS)
Terça-feira, 04 Sep 07 Voo XG1034
Saída Barcelona (BCN) a 20:05 e chegada a Lisboa (LIS) a 20:55
Informação de contacto
José Alberto Oliveira Rino
(...)
Parece que tenho um voo confirmado para Barcelona no final do mês.
Isto se entretanto acrescentar "Alberto Oliveira" ao meu nome, claro...
Dia da reserva: 01 Agosto 2007
Número de Confirmação: X####M
Estado da Reserva: CONFIRMADO
Itinerário do Voo - CONFIRMADO
Saída - Lisboa (LIS) a Barcelona (BCN)
Sexta-feira, 31 Ago 07 Voo XG1033
Saída Lisboa (LIS) a 21:30 e chegada a Barcelona (BCN) a 00:15 (dia seguinte)
Regresso - Barcelona (BCN) a Lisboa (LIS)
Terça-feira, 04 Sep 07 Voo XG1034
Saída Barcelona (BCN) a 20:05 e chegada a Lisboa (LIS) a 20:55
Informação de contacto
José Alberto Oliveira Rino
(...)
Parece que tenho um voo confirmado para Barcelona no final do mês.
Isto se entretanto acrescentar "Alberto Oliveira" ao meu nome, claro...
Wednesday, July 25, 2007
A malta da bola

"E chi è lui? Forse un giornalista?" Sim, talvez fosse. Ou então um empresário. Não havia muito mais hipóteses... para além dos jornalistas e dos empresários, nas bancadas apenas estávamos nós, team officers e organização, a família de um jogador luso da selecção suíça e o resto do staff do Sindicato dos Jogadores. Era o fim de semana do FIFPro 2007, um torneio para os jogadores desempregados, que acabaram contrato o ano passado e ainda não tinham encontrado clube. A meu cargo estava a selecção italiana. Nem todos levavam aquilo a sério. Alías, só os eslovenos levavam aquilo a sério... eram os únicos que tinham trazido documentação, pastas com as caracteristicas de cada jogador, que pediram ao seu team officer para distribuir pelos empresários. Eram os que jogavam melhor futebol também. Chegaram sem grande esforço à final. Na final perderam contra a Itália, como mandam as regras da bola. Já quase no final do jogo, um livre directo apontado sem falhas pelo veterano Signori. "Sono buoni giocatori, Jose. Ma alcuni sono ancora bambini", desabafava Nicola, o treinador adjunto. Os bambini eram quase todos mais velhos que eu. Tinham passado a noite de sábado em branco, a correr a cidade de taxi seguindo as instruções escritas num papel pelo team officer. "Oggi venite con noi!" Disse que não, que trabalhava no dia seguinte de manhã. "Mattina? Allora abbiamo tempo!"
Monday, July 16, 2007
Thursday, July 12, 2007
Wednesday, July 11, 2007
All set

Reitoria da Universidade de Lisboa. 14h45. Amanhã.
Friday, June 29, 2007
O carro
Não se pode dizer que tenha sorte com os carros. Acontece-me de tudo, às vezes no espaço de poucos dias. Apesar de nunca ter provocado um acidente, já me bateram cerca de quinze vezes. Duas delas, as mais violentas, estando eu dentro do carro: um jovem embriagado que conduzia tanques na tropa e uma rapariga que julgava estar na segunda circular quando me abalroou no semáforo vermelho da Av. Lusíada. Dos outros embates tenho às vezes relatos... como o do camião do lixo descontrolado que me levou o espelho ou a carrinha amarela desgovernada que corrigiu a trajectória usando a traseira do meu carro. Outras vezes nem isso, resta-me apenas o cenário CSI: uma tinta preta, a amolgadela à altura do pára-choques de um todo-o-terreno, as marcas bem vincadas de um carro a fazer marcha-atrás enquanto arrastava o meu uns bons centímetros mais para a esquerda. E depois claro, há as lesões que o carro inventa para ele próprio quando passa mais de um mês sem ninguém me bater. Já fiquei sem embraiagem, sem direcção assistida, já andei com um extintor na mala quando o carro começou com sintomas de auto-combustão, já conduzi em plena Av. da República com fumo branco a sair do tubo de escape, ao estilo James Bond. Já não acho estranho. Foi por isso com alguma naturalidade que ontem cheguei ao carro estacionado no parque do Colombo, pousei o GPS ainda embrulhado na caixa no banco ao lado, rodei a chave na ignição e... nada. O motor permanecia mudo, as luzes do painel de instrumentos a piscar de forma descoordenada, o ponteiro dos quilómetros a tremer como se fosse um ataque epiléptico. Previsível. Imediatamente a seguir a ter comprado um GPS... fiquei sem carro. A bateria eclipsou-se, foi uma coisa que lhe deu. E assim continua, depois da reanimação do senhor do ACP lhe ter dado carga suficiente para chegar até ao Santa Maria. Continua ali fora, à espera de mais uma reanimação para fazer a viagem non-stop até Leiria. Tenho a sensação que vair correr bem...
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The Thesis